Falar em uma reunião, apresentar um trabalho, ligar para alguém que não conhece bem, entrar em uma festa onde quase ninguém é familiar. Para algumas pessoas, essas situações são apenas um pouco desconfortáveis. Para outras, despertam um medo intenso de ser observado, avaliado e julgado de forma negativa. Quando esse medo passa a limitar a vida, falamos de ansiedade social.

Ansiedade social é diferente de timidez. A timidez é um traço de temperamento e não costuma impedir a pessoa de fazer o que deseja. A ansiedade social envolve sofrimento significativo e, muitas vezes, leva a evitar situações importantes.

Sinais comuns

  • Preocupação intensa, dias antes, com uma situação em que haverá outras pessoas.
  • Medo de ficar vermelho, tremer, gaguejar ou "dar branco" na frente dos outros.
  • Sensação de estar sendo observado e avaliado o tempo todo.
  • Revisar mentalmente, depois do encontro, tudo o que foi dito, buscando erros.
  • Recusar convites, evitar falar em grupo ou ficar só no celular para não precisar interagir.

O ciclo que mantém o medo

A TCC descreve um ciclo bem conhecido na ansiedade social. Antes da situação, a pessoa prevê que vai se sair mal. Durante, volta a atenção para si mesma, monitorando cada gesto e cada sensação, o que aumenta a ansiedade e atrapalha a conversa. Para se proteger, usa os chamados comportamentos de segurança, como evitar contato visual, falar pouco ou ensaiar frases. Depois, faz uma análise minuciosa do que deu errado. O resultado é que a experiência confirma o medo, mesmo quando os outros nem perceberam nada.

Na terapia, esse ciclo é observado com cuidado. Aos poucos, a pessoa testa novas formas de agir, como reduzir os comportamentos de segurança e direcionar a atenção para a conversa em vez de para si mesma, e observa o que realmente acontece.

A contribuição da ACT

A ACT ajuda a pessoa a perceber que pensamentos como "vão me achar estranho" são pensamentos, e não fatos. Também trabalha a disposição de sentir algum desconforto em nome de algo que importa: uma amizade, uma oportunidade profissional, a vontade de participar. A pergunta deixa de ser "como faço para não sentir ansiedade?" e passa a ser "o que eu quero construir, mesmo sentindo ansiedade?".

Para refletir

  • Quais situações sociais eu tenho evitado nos últimos meses?
  • O que eu imagino que os outros pensam de mim? Que evidências tenho disso?
  • O que essas evitações têm me custado?
  • Se o medo não estivesse no comando, o que eu faria de diferente?

Quando procurar ajuda

Se o medo do julgamento atrapalha o trabalho, os estudos, os relacionamentos ou faz você abrir mão de coisas importantes, a psicoterapia pode ajudar. O processo respeita o seu ritmo: não se trata de se expor de uma vez, e sim de construir, passo a passo e com apoio, mais liberdade para estar com os outros.

Sobre a autoria deste conteúdo

Este artigo foi preparado para fins educativos por Mariana Amorim dos Santos, psicóloga CRP 16/3182. Ele não realiza diagnóstico, não indica tratamento padronizado e não substitui atendimento psicológico individual. Em situações de urgência, risco ou sofrimento intenso, ligue 188 (CVV) ou procure o serviço de emergência da sua região.

Perguntas frequentes

Ansiedade social é só timidez?

Não. A timidez é um traço de personalidade. A ansiedade social envolve medo intenso e sofrimento que levam a evitar situações importantes da vida.

A terapia vai me obrigar a enfrentar tudo de uma vez?

Não. As experiências de enfrentamento são combinadas com você, de forma gradual e respeitando o que faz sentido para a sua vida.

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