Com a fiscalização dos riscos psicossociais em vigor desde 26 de maio de 2026, muitas empresas se perguntam por onde começar. Não existe modelo único: cada organização precisa olhar para sua realidade, seu setor e sua forma de trabalhar. O roteiro abaixo organiza as etapas mais citadas pelo manual do Ministério do Trabalho e Emprego e por especialistas, como apoio para conversas entre RH, lideranças e Segurança e Saúde no Trabalho.
1. Diagnóstico da organização do trabalho
O ponto de partida é entender como o trabalho acontece de verdade. Algumas perguntas úteis:
- A carga de trabalho é compatível com o tempo e os recursos disponíveis?
- As metas e indicadores são claros, alcançáveis e comunicados com transparência?
- Como as lideranças conduzem as equipes no dia a dia?
- Como estão as relações interpessoais e a forma de lidar com conflitos?
- Há sinais de sobrecarga, como horas extras frequentes, afastamentos, rotatividade ou absenteísmo?
Pesquisas internas, grupos de escuta, entrevistas e análise de indicadores ajudam a montar esse retrato.
2. Identificação dos perigos
A partir do diagnóstico, identificam-se os fatores de risco psicossociais presentes em cada setor ou função. A NR-1 se conecta à NR-17, que trata de ritmo, exigência de tempo, conteúdo das tarefas e demandas cognitivas. Exemplos comuns incluem sobrecarga, baixa autonomia, falta de clareza de papéis, falta de apoio, conflitos e assédio.
3. Avaliação dos riscos
O manual do MTE pede critérios documentados de severidade, probabilidade e níveis de risco, além de registro da metodologia usada. O importante é que a avaliação seja coerente, compreensível e possa ser revista ao longo do tempo.
4. Plano de ação
As medidas devem entrar no PGR, seguindo a lógica de priorizar ações sobre a organização do trabalho. Na prática, isso pode envolver:
- Revisar metas, prazos, distribuição de tarefas e jornadas.
- Melhorar a comunicação de mudanças e decisões.
- Fortalecer canais de escuta e de denúncia de assédio.
- Capacitar lideranças para reconhecer sinais de sobrecarga e conduzir conversas difíceis.
- Promover ações educativas sobre saúde emocional para as equipes.
- Definir caminhos de apoio e encaminhamento para quem precisar.
5. Participação dos trabalhadores
A participação dos trabalhadores é esperada nas etapas do processo. A CIPA e os próprios trabalhadores podem solicitar, de forma justificada, a revisão da avaliação de riscos. Envolver as pessoas aumenta a qualidade do diagnóstico e a adesão às medidas.
6. Registros e evidências
Documentos devem ser datados, assinados e atualizados, e o inventário de riscos deve ser preservado por no mínimo vinte anos, segundo análises do manual. A fiscalização tende a observar evidências de gestão contínua, e não apenas papéis formais.
7. Monitoramento e revisão
A avaliação deve ser revista após acidentes ou adoecimentos relacionados ao trabalho, mudanças de processo, tecnologia ou organização, quando medidas se mostrarem ineficazes ou mediante solicitação justificada da CIPA ou dos trabalhadores. Empresas que contratam terceiros também precisam considerar inventários e planos de ação das contratadas.
Fontes e leitura complementar
- Portal Contábeis: NR-1, fiscalização de riscos psicossociais começa em maio de 2026
- CNT: Após adiamentos, NR-1 entra em fase de fiscalização em 26 de maio
- CBIC: MTE prorroga gestão dos riscos psicossociais para maio de 2026
- Findes: MTE lança Manual de Interpretação e Aplicação do Capítulo 1.5 da NR-1
- Guia Trabalhista: NR-1 e riscos psicossociais
As informações deste artigo têm caráter educativo e não substituem orientação jurídica ou de Segurança e Saúde no Trabalho.
Perguntas frequentes
Psicólogos podem ajudar na adequação?
Sim. Psicólogos podem contribuir com escuta, diagnóstico organizacional, capacitação de lideranças e ações educativas, sempre em conjunto com os profissionais de SST responsáveis pelo PGR.
Precisamos aplicar um questionário específico?
A escolha do método é da empresa, desde que seja documentada e adequada à sua realidade. Questionários, entrevistas e grupos de escuta podem ser combinados.
Quer levar esse tema para a sua empresa?
Mariana Amorim realiza palestras, workshops e rodas de conversa sobre saúde emocional no trabalho, com base em ACT, TCC e Gestão de Pessoas.
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